A Netflix estreou Wild Sing, comédia coreana que troca os romances perfeitos por uma reunião musical cheia de ressentimentos. O filme, disponível mundialmente desde 31 de julho no horário da Coreia do Sul, acompanha três antigos astros do K-pop tentando recuperar o brilho perdido vinte anos após a separação do grupo.

O retorno do Triangle

Gang Dong-won interpreta Hyun-woo, antigo líder do Triangle, trio misto que dominou as paradas no início dos anos 2000. Um escândalo encerrou o grupo de forma repentina, mas uma proposta de reunião faz o cantor procurar Sang-gu, vivido por Um Tae-goo, e Do-mi, personagem de Park Ji-hyun.

Sang-gu acumulou dívidas depois de uma carreira solo frustrada. Do-mi, por outro lado, deixou os palcos e passou a viver como integrante de uma família chaebol. Oh Jung-se completa o elenco como um antigo rival conhecido como “Príncipe da Balada”.

De acordo com o comunicado oficial da Netflix, profissionais ligados a grupos como TWICE, SHINee, IU, ITZY e GOT7 participaram da criação das músicas. A coreografia também contou com experiência real da indústria do K-pop.

O público já deu um sinal

Antes da estreia, o videoclipe retrô da música fictícia “Love Is” ultrapassou 2,8 milhões de visualizações no YouTube, segundo a Netflix. O número não funciona como avaliação do filme, mas mostra curiosidade concreta do público pelo conceito e pelas canções.

Confesso que produções sobre artistas tentando recomeçar costumam me conquistar. A graça aqui parece estar menos em fingir que o tempo não passou e mais em colocar três pessoas cheias de erros diante da chance de acertar uma última nota. Pode separar um espaço na lista — e talvez na playlist também.

K-pop fictício, experiência verdadeira

A equipe não tratou a música do Triangle como um simples acessório. Shim Eun-ji e KASS, profissionais com créditos ligados a nomes conhecidos da indústria coreana, participaram da construção do repertório fictício. A coreografia ficou sob responsabilidade de Yang Wook, da Nana Company, que trabalhou no projeto SSAK3. Essa presença ajuda a reproduzir diferentes momentos do K-pop sem depender apenas de roupas coloridas e penteados exagerados.

A direção de arte acompanha as duas fases do grupo. No passado, os integrantes aparecem com figurinos largos e cores fortes associados ao começo dos anos 2000. No reencontro, o visual assume tons metálicos e uma estética Y2K mais fria. A mudança mostra que o filme pretende brincar com a nostalgia, mas também reconhecer que a indústria se transformou durante os vinte anos de afastamento.

Uma comédia sobre fracasso e recomeço

Os três integrantes chegam à reunião com versões muito diferentes do mesmo sonho interrompido. Hyun-woo tenta sobreviver por meio de transmissões, Sang-gu carrega dívidas e Do-mi construiu uma vida distante do palco. A proposta não é simplesmente provar que eles ainda conseguem dançar, e sim descobrir se conseguem trabalhar juntos depois de duas décadas de mágoas.

O diretor Son Jae-gon afirmou que espera que o público ria e termine o filme cantando. Essa declaração combina com uma comédia que parece usar personagens exagerados para falar de algo bastante reconhecível: o medo de admitir que uma oportunidade passou e a dificuldade de aceitar uma segunda chance quando ela finalmente aparece.

Nostalgia não garante aprovação

O videoclipe com milhões de visualizações é um sinal relevante de alcance, mas não encerra a análise. Uma música pode viralizar enquanto o filme divide opiniões; da mesma forma, espectadores que não conhecem a estética do K-pop antigo podem se envolver com o conflito do trio. A recepção precisa considerar esses grupos separadamente.

Quem gosta de histórias de bastidores encontrará referências à fabricação de ídolos, coreografias e rivalidades. Quem acompanha doramas e filmes coreanos pelo elenco terá a oportunidade de ver Gang Dong-won, Um Tae-goo e Park Ji-hyun em registros cômicos. Eu só espero que o roteiro permita que Do-mi tenha tantos erros e desejos quanto os colegas, porque uma reunião realmente caótica precisa dos três integrantes no centro do palco.